quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Concorrência a Sério

Os especuladores 'brincam com isto':
Um exemplo:
- Quando o preço do petróleo sobe - mas o Dólar desceu em relação ao Euro - eles não falam na variação cambial... e sobem o preço da gasolina;
- No entanto, quando o preço do petróleo desce - mas o Dólar subiu em relação ao Euro - aí eles JÁ FALAM na variação cambial... e não descem o preço da gasolina.
---> Resumindo: o consumidor é roubado a 'torto e a direito'!

Na realidade, o mercado nem sempre é optimizador. O negócio da gasolina é uma dessas situações (oligopólio cartelizado).
Solução: Preços administrativos?!?
!!!!!! NÃO !!!!!!

CONCORRÊNCIA A SÉRIO:
É preciso combater os governantes sabotadores do Estado (Pinas's Moura's e afins): eles estão no governo... para realizar negociatas para amigos...
Os governos devem ser obrigados a trabalhar!... ou seja: é urgente que exista uma Manifestação Popular para exigir que, CONSTITUCIONALMENTE, os governos sejam obrigados a ter em funcionamento empresas 100% públicas (nos sectores considerados vitais/estratégicos para a economia) a fazer concorrência às empresas privadas.
Mais, caso um governo não seja capaz de ter essas empresas públicas (a fazer concorrência às privadas - nos sectores considerados vitais) a dar lucro, então o governo em causa deve ser, constitucionalmente, imediatamente demitido pelo Presidente da República.
Resumindo: os especuladores privados estão a precisar de concorrência pública a sério!!!


Nota 1: O objectivo das Empresas Públicas deve ser a obtenção de LUCRO com uma MINIMIZAÇÃO de preços ,e não, a maximização do Lucro! Tal será um estímulo para que as empresas privadas procurem mais lucro... sem ser à custa duma subida cartelizada de preços!

Nota 2: Uma 'NeoGalp' , mesmo praticando preços mais baixos, pode , e deve, dar LUCRO!...
Nota 3: As Empresas Públicas irão dar um 'safanão' aos cartéis que produzem mega-fortunas (como a do senhor Amorim).
Nota 4:
Os xicos-espertos 'preocupam-se' com a CGD, a PT… isto é… concorrência pública que 'furam as contas' da cartelização privada... não se 'preocupam' com a privatização da CP, da REFER, etc...


Note-se bem: Não está em causa o Direito à iniciativa privada... o problema que está em causa é o seguinte: existe pessoal a querer-se ver livre da concorrência pública... para depois manobrar uma cartelização (leia-se roubalheira) a seu belo prazer (veja-se o que aconteceu com o preço da gasolina: o consumidor passou  a ser roubado a 'torto e a direito'!).





P.S.
Quem gosta de ser ROUBADO pelos bancos (quiseram introduzir taxas em cada levantamento multibanco... todavia, no entanto, o banco público C.G.D. apresentava lucros sem ser necessário mais uma taxa...
o pessoal que queria introduzir mais uma taxa teve de amochar!)... quem gosta de ser ROUBADO pelas petrolíferas (com o fim da pública GALP é o que se vê!)... etc: tchau - que faça boa viagem!...


P.S.2.
O cidadão têm que estar atento... pois, os políticos estão sempre à espreita de criar O.N.R. (oportunidades de negócio de roubalheira) para amigos.
Ex: a privatização de GALP (leia-se, eliminação da concorrência pública) foi uma O.N.R. para amigos.


P.S.3.
A participação do Banco Público, CGD, nas negociações de Cartelização da Banca.... vem reforçar aquilo que já se sabia: existe por aí muito político cujo 'trabalhinho' é abrir oportunidades para a superclasse (alta finança - capital global):
- caos nas finanças públicas;
- privatização de bens estratégicos: combustíveis... electricidade... água...
Resumindo: os políticos não podem continuar a ter o poder de nomear directamente os gestores das empresas estratégicas (ex: água, e outras a definir)... leia-se, deve existir um CONCURSO PÚBLICO de gestores... e... embora seja o governo a escolher a equipa gestora vencedora do concurso público... todavia, deve existir a obrigatoriedade de partilhar informação... no sentido de que o contribuinte possa acompanhar o andamento do concurso público.
-> NOTA: Se não existisse um banco público... a 'coisa' seria muito pior!... De facto, a privatização da C.G.D. é uma O.N.R. (oportunidade de negócio de roubalheira).

7 comentários:

blocodeesquerda disse...

O Bloco de Esquerda concorda contigo: vê aqui.
O problema é que as empresas públicas que dão lucro são para vender a amigos.
O caso do BPN ainda é pior: pode-se roubar à vontade, porque depois os amigalhaços do PS vão por o contribuinte a pagar os prejuízos.

blocodeesquerda disse...

Ministério não paga às farmácias remédios trocados por genéricos.
É mais uma negociata do PS: eles andam a 'receber por fora' da indústria farmacêutica.

Anónimo disse...

Veja os casos do Totta e da Cimpor (e outros casos se seguirão): existem xicos-espertos que apenas pretendem ser intermediários - transferência de empresas públicas para multinacionais...

menvp disse...

Arquivo pessoal:
http://domirante.blogspot.pt/2012/11/divida-e-poder.html

arquivo disse...

Para percebermos sucintamente como foi a deturpação do estatuto legal do depósito que desaguou na percepção errada da actividade de crédito bancário como expandindo a partir de uma base natural dos depósitos e procedendo depois à sua criação pura (para ganho dos bancos, grandes credores/empresas e poder político), vamos recorrer a Huerta de Soto que escreve no seu livro “Moeda, Crédito Bancário, e Ciclos Económicos” no seu capítulo 2 em que analisa a evolução histórica das práticas bancárias quanto aos depósitos e crédito:
“Vamos agora examinar três casos particulares que, juntos, ilustram o desenvolvimento da banca medieval: os bancos Florentinos do século XIV; Banco de Barcelona de Depósitos, o Taula de Canvi, no século XV e mais tarde, e o Banco Medici. Esses bancos, como todos os bancos mais importantes do final da Idade Média, mostram consistentemente o padrão que vimos na Grécia e em Roma: bancos que inicialmente respeitavam os princípios legais tradicionais encontrados no Corpus Juris Civilis, ou seja, operando com 100 por cento de reservas, rácio que garantia a guarda do tantundem e a sua constante disponibilidade ao depositante. Então, gradualmente, devido à ganância dos banqueiros e cumplicidade dos governantes, esses princípios começaram a ser violados, e os banqueiros começaram a emprestar dinheiro dos depósitos à ordem, muitas vezes, de facto, aos próprios governantes. Isso deu origem à reserva fraccionária e à expansão artificial do crédito, que na primeira etapa parecia estimular fortemente o crescimento económico. Todo o processo terminava numa crise económica geral e na falha de bancos que não podiam devolver os depósitos quando a recessão aparecia e perdiam a confiança do público. Sempre que os empréstimos eram sistematicamente efectuados a partir de depósitos à ordem, é uma constante histórica a falha no sector bancário. Além disso, as falências bancárias eram acompanhadas por uma forte contracção na oferta de moeda (especificamente, a escassez de empréstimos e depósitos) e pela recessão económica assim inevitável. Como veremos nos capítulos seguintes, foram necessários quase cinco séculos aos estudiosos económicos para compreender as causas teóricas de todos estes processos."
E assim, o crédito hoje expande-se não por intermediação de poupança prévia mas por emissão (inflação quantitativa) de moeda. O problema económico (das bolhas seguidas de crises) nasce de um problema jurídico.

arquivo disse...

«O problema económico (das bolhas seguidas de crises) nasce de um problema jurídico.»

Não vejo como. Não há aqui leis nenhumas em ação. Nenhuma lei obriga os banqueiros a concederem crédito a partir dos depósitos à ordem. Como Huerta diz, isso é feito devido à "ganância dos banqueiros", não devido a quaisquer leis.

O que acho curioso é que o CN, que se diz muito liberal, depois pretenda que o Estado, de alguma forma, intervenha para proibir a prática bancária do crédito a partir de depósitos à ordem, prática essa que é normal na banca privada.

arquivo disse...

Meu caro CN, o Huerta é um gajo porreiro. Mas convém apresentar a solução ultima que ele apresenta para resolver o assunto. É curiosa. Tenha lá a coragem de a publicar. Eu tive de ter paciencia de santo para chegar ao fim e perceber finalmente a solução dele. Que é espantosamente keynesiana.
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Anyway, O sistema, a que Huerta alude, 'degenerou' por um motivo muito simples, convem tambem dize-lo. A existência de concorrência bancária. Sem concorrencia não era possivel expansão crediticia. Eu penso que já referi isso, num comentario lá para trás, por isso não volto a fazê-lo para não chatear mais do que já chateio.
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No entanto, convem rectificar uma coisinha. O problema da inexistencia de fundos e falência de bancos tambem se dá se a taxa de cobertura for de 100%, isto é, se o crédito concedido for equivalente aos depositos captados.
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Nunca é possivel assegurar a retirada total de depositos quando os mesmos estão aplicados em crédito concedido. Os bancos, como as seguradoras, lidam com probabilidades, históricos e expectativas.
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O mesmo é dizer que a expansão do crédito é inevitável numa economia aberta e em perfeita concorrencia bancária. A única forma de contrariar isto é exigir, como fazem as economias planificadas, taxas de reserva legal muito elevadas (às vezes era mesmo preciso, por outros motivos,adiante).
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Isto é, que o crédito concedido seja imensamente inferior aos depositos obtidos. Nesse caso, o negócio deixa de ter interesse. O negócio bancário não é guardar dinheiro. Não lhe cobram por guarda-lo (pese embora estejam a cobrar comissões de manutenção, estupidamente). O negócios é empresta-lo a quem dele não precisa. Essa é que é a verdade. E emprestá-lo numa dimensão que permita acomodar saídas de depositos previsiveis e normais, acomodar incumprimento e outras cenisses.
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Por tudo isto, não é possivel, reduzir muito mais a taxa de cobertura e, simultaneamente, remunerar os nossos depositos. Se baixam a taxa de cobertura muito mais, a solução da banca só poderá ser a não remuneração dos passivos à sua guarda e responsabilidade.
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Ora, para ter dinheiro sem remuneração, é preferivel, e mais seguro, te-lo num cofre forte.
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Nada disto tem a ver, saliente-se, com emissão de moeda por parte dos bancos centrais.
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A banca é essencial para a manutenção do nosso nível de vida. Poupança, Credito, Investimento, Consumo, numa cadeia auto-alimentada destes factores que keynes tão bem soube perceber.
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Por outro lado, não pode o mercado ser tão liberal, tão desregulado que eles, os bancos, possam inventar cenisses que degeneram em bolhas e crises como aquela que assistimos em 2008.
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Os liberais afirmam, não consigo perceber como, que a crise deveio de restar um migalhinha de regulação. Essa migalhinha é que foi a responsável pela crise. Nada mais errado. A regulação nunca devia ter-se reduzido a uma migalhinha. Devia ter-se mantido um bom naco, e aperfeiçoado, para evitar fazer-se o que se fez.
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Em todo caso, mesmo que utópicamente tudo pudesse estar regulado, as crises aconteceriam sempre.
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Só mesmo os austriacos é que acreditam no Movimento Perpetuo da prosperidade liberal. Um mundo sem crises é um mundo sem seres humanos.
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Como diria o Dragão, um gajo corre para cair na crise e quando bate no fundo levanta-se para voltar a correr avidamente para a próxima crise.